Sábado, Dezembro 10, 2022
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“As multinacionais de petróleo e gás têm angolanos em posição de destaque lá fora”

É dos poucos angolanos que já liderou uma multinacional fora de Angola. Aliás, além da experiência nas operações também tem experiência na negociação e lobbyng para a Chevron. Pode contar-nos um pouco desta sua experiência?

Apesar de ser engenheiro e ter trabalhado nas áreas de operações, aprendi muito na área de negociação e lobbyng da Chevron. Pois não é todos os dias que um engenheiro tem oportunidade de fazer este trabalho em Washington. Dessa experiência aprendi muito, em termos de relações internacionais, em termos de relações públicas e institucionais, foi muito enriquecedor. Também nos EUA trabalhei na área de operações, na minha segunda signação.

A multinacional americana para quem trabalhava em Angola enviou-o para duas das suas principais concessões internacionais e colocou-o a liderar as operações. Como foi essa experiência?

Entrei para a Chevron há 32 anos. De facto, entre as várias oportunidades de liderança fui director de operações de águas profundas da Chevron, no golfo do México, de 2006 a 2009, depois fui transferido para a Colômbia, como director de operações e vice-presidente da Chevron na Colômbia, que foi uma experiência também ímpar.

Durante estas suas missões internacionais os blocos que liderou produziam petróleo ou gás?

Na Colômbia, as operações da Chevron eram de produção de gás. Era diferente daquilo a que eu estava habituado. A Chevron Colômbia produzia na parte norte da Colômbia, na Guajira, e nós fornecíamos grande parte da nossa produção de gás à Venezuela. Havia uma relação muito próxima com a Venezuela, em termos de produção de gás.

Disse que tem exemplos de angolanos que, além de si, foram colocados em posições de liderança no estrangeiro. Pode citar alguns exemplos?

Como disse, não é só a Chevron que coloca angolanos em posições de liderança lá fora. As outras operadoras têm quadros em muitos outros países. Posso citar o exemplo da Exxon Mobil, que está a fazer grandes descobertas nas Guianas e que também está em Moçambique, esta e outras operadoras têm quadros angolanos em posições de destaque, lá fora nos países que mencionei e em muitos outros.

Pode mencionar alguns nomes e algumas posições ocupadas por angolanos nas multinacionais lá fora?

Eu próprio tive oportunidade de ser director de operações e vice-presidente da Chevron no Golfo do México, nos Estados Unidos, tive a oportunidade de ser director de operações e vice-presidente na Colômbia, assim como outros dois angolanos que posso citar que foram residentes da Chevron no Brasil, estou a falar do engenheiro Daniel Rocha e, em memória, a dra. Eunice de Carvalho. E, assim como estes, houve muitos mais angolanos a ocupar posições de destaque noutras operadores em muitas partes do mundo, assim como os há nas operadoras aqui no País.

Não deviam aproveitar estes quadros para reforçar a petrolífera estatal ou as petrolíferas nacionais?

Se falarmos da nossa empresa nacional, a Sonangol, tem provas dadas de ter desenvolvido muitos quadros desde os primórdios da sua formação. Em Angola, fora da indústria petrolífera, encontramos muitos quadros que vieram da indústria petrolífera. Temos muitos quadros que saíram das operadoras e que estão a prestar serviços nas empresas nacionais, muitos no activo, e muitos que têm empresas a prestar serviços ao sector petrolífero.

Mas muitos dos quadros angolanos formados pela Sonangol e pelas multinacionais já atingiram os 60 anos, que é a idade da reforma em Angola. Segundo os mesmos, a experiência por eles adquirida ao longo da carreira não é transferida para os mais jovens que os substituem. O que pode ser feito ?

Criar um programa de apoio e financiamento às empresas prestadoras de serviços ao sector petrolífero, dos mais técnicos e especializados aos mais simples, é uma das formas de os aproveitar. Há muitos quadros, muitos deles pensamos que saíram do activo, mas estão aí a fazer qualquer coisa. Tocou num assunto que não é só do sector petrolífero, mas é do País.

Mas o tema de aproveitamento de quadros mais experientes deve ser um problema em todos os sectores, não lhe parece?

Existe aquela diferença em termos de idade de reforma no País. Se formos para muitas áreas, como nos petróleos, 60 anos é a idade da reforma, se formos a outras áreas, como o parlamento, já vão até aos 80. Os juízes vão até aos 70. Mas os técnicos de outras áreas vão só até aos 60 anos de idade. Há que olhar para estas diferenças para ver se há um aproveitamento destes quadros que ainda têm muito para dar. Estes quadros podiam ajudar os mais jovens a ganhar maior traquejo, se lhes for dada oportunidade de prestarem este serviço.

Mas, apesar da idade da reforma, muitos destes quadros dos petróleos estão activos com empresas de consultoria, seja no sector ou fora do sector?

Sim. Não está vetada a prestação de serviços. As pessoas podem trabalhar para além dos 60 anos, só que em contratos anuais ou contratos específicos, e estas oportunidades às vezes não aparecem. Não podemos ter uns a trabalhar até aos 60 e outros até aos 80.

Refere-se à idade da reforma no país?

A idade da reforma em Angola são 60 anos. Nos Estados Unidos não têm idade definida de reforma. Os executivos têm uma idade limite, mas não existe uma idade de reforma para os restantes. O que se vê em Angola, no sector petrolífero, é que os quadros nacionais, independentemente da sua categoria, saem do activo nas empresas operadoras multinacionais ou angolanas, aos 60 anos de idade. Nalguns casos, ficam mais um ou dois anos em prestação de serviços, mas os quadros de outros países, mesmo aos 65 anos de idade ou mais, estão aí no activo sem problemas, e trabalham aqui num País, onde a idade limite é de 60 anos.

Fonte:Jornal Expansão

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