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Racionalidade universitária num mercado de trabalho em transformação

CONVIDADO

Nesta era de grandes transformações da sociedade e do trabalho, mais do que ter níveis altos de desemprego, o pior é ter milhões de desempregados formados. No mercado de trabalho angolano, há vários anos tem se desenvolvido o conceito de expectativa universitária.

Os jovens e adultos angolanos acreditam que para se alcançar a progressão na carreira, auferir melhores rendimentos, maior mobilidade no mercado de trabalho e melhores oportunidades de emprego, só é possível com o ensino superior. E parece que as empresas têm adoptado o mesmo conceito, que só os graduados e pós-graduados detêm melhores oportunidades.

A recuperação do emprego e a criação de emprego de qualidade, enquanto pedra angular do desenvolvimento económico e social de qualquer país, merece a atenção especial de todos os formuladores de política. Porque um jovem desempregado está susceptível a tudo. Neste caso, as políticas de ensino estão a funcionar em sinergia e complementaridade com outras políticas – económicas, sociais, de migração, tecnológicas e de inovação?

O emprego é uma variável fundamental na determinação do consumo privado das famílias, portanto, um indicador muito claro da saúde económica de qualquer país. Os serviços locais de emprego têm de orientar os muitos desempregados para ofertas de emprego disponíveis, mas há estrangulamentos. Qual o problema? Trata-se, na sua maioria, de uma limitação do lado da oferta, que pode ser resolvida através da prestação de formação ou da valorização das competências através da validação e certificação? Ou trata-se de um estrangulamento do lado da procura ligado a condições de trabalho injustas ou pouco atractivas em determinadas regiões ou sectores da economia? E em matéria de migração, fuga de cérebros, circulação de cérebros, escassez de competências e lacunas no mercado de trabalho nacional? Sabemos suficientemente sobre a incidência e a dinâmica destes fenómenos?

Como existe procura, em praticamente todos os domínios da actividade empresarial, por quadros técnicos com uma formação profissional que lhes permitam apoiar a criação de novas empresas e participar activamente na necessária diversificação da economia nacional, é estratégico, neste contexto de transformação do trabalho, frequentar uma licenciatura com duração de quatro ou cinco anos para instalar uma oficina de climatização ou gerir um estaleiro de construção civil?

O pensamento dedutivo é o pensamento mais lógico do intelecto, e poucos o desenvolvem por completo. Pensamos no seguinte: Angola implementa vários subsistemas de ensino, entre eles destaca-se o do ensino superior, na qual existem 93 instituições, sendo 29 públicas e 64 privadas. Todavia, para as instituições de ensino superior público, em Luanda, em média, o número de vagas é de 4.857 para as oito unidades orgânicas que compõem a Universidade Agostinho Neto, para mais de 22 mil candidatos que buscam uma vaga.

De acordo com o INE, se a maioria das pessoas empregadas se encontra no emprego informal 79,3%, das quais 70,4% entre homens e 88,0% entre mulheres, onde há maior incidência de empregos precários, podemos intrinsecamente entender que as famílias terão de recorrer ao ensino privado, uma vez que não há capacidade suficiente de absorção no sector público.

A taxa de emprego permite avaliar a absorção no mercado de trabalho por pessoas com distintas habilidades e níveis de educação. Em média, o custo mensal para se estudar numa instituição de ensino superior privado é de 40.600 Kz, o que perfaz um custo total durante quatro ou cinco anos de 1.948.800 Kz ou 2.436.000 Kz. Se o salário mínimo é de 32.181,15 Kz e o sistema de emprego em Angola continua marcado por importantes características estruturais – das quais se salientam: o elevado número de trabalhadores com baixo nível de habilitações e de qualificações, o que significa que metade de nós terá de voltar à formação para melhorar as suas competências, precariedade do emprego, taxa de desemprego alta, apresentando como característica uma maior incidência relativa nas mulheres, uma incidência ainda significativa nos jovens – vê-se logo que as famílias angolanas na sua maioria não têm possibilidades de financiar a formação dos filhos, sobretudo em famílias numerosas.

Fonte:Jornal Expansão

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