Bispos da Conferência Episcopal Nacional do Congo estão a preparar, com o executivo angolano, uma agenda de diálogo intercongolês para alcançar a paz na Republica Democrática do Congo (RDC).
A delegação de bispos, chefiada por Muteba Mugalu Fulgence, deslocou-se a Luanda a convite do chefe de Estado angolano e presidente em exercício da União Africana, João Lourenço, para abordar as questões que têm a ver com o processo de paz na República Democrática do Congo (RDC).
À saída da audiência no Palácio Presidencial, em declarações à imprensa, o secretário-geral da Conferência Episcopal Nacional do Congo, que congrega igrejas cristãs e evangélicas, realçou que já em 2025 estiveram em Angola, por sua iniciativa, destacando o engajamento do Presidente angolano para o alcance da paz naquele país.
Segundo Donatien Babula Nshole, o Presidente angolano e o seu homólogo da RDC, Félix Tshisekedi, “têm-se reunido bastante ao longo dos últimos dias” e João Lourenço considerou necessária a inclusão das igrejas neste processo de busca da paz.
“O Presidente da República de Angola indigitou uma equipa dos seus auxiliares para trabalharem connosco, para prepararmos a agenda para que esse diálogo tenha lugar”, referiu Donatien Babula Nshole.
“Nós vamos trabalhar com a equipa que o Presidente angolano indicou, para darmos as nossas sugestões e, no fecho dos nossos trabalhos, iremos ser recebidos de novo pelo Presidente João Lourenço, para darmos o relatório. Se conseguirmos terminar hoje, o Presidente da República disse que nos receberá ainda hoje. Se não, poderá ser amanhã”, acrescentou.
Uma via para paz
O secretário-geral da Conferência Episcopal Nacional do Congo frisou a preocupação de João Lourenço e o desejo de “encontrar uma via para a paz” na RDC, considerando que “o processo de diálogo nacional intercongolês e entre todas as partes, que envolve as questões para se chegar à paz no Congo, deve começar a ter lugar”.
Na semana passada, o Presidente da RDC deslocou-se duas vezes a Luanda para consultas com o seu homólogo angolano e, no último encontro, João Lourenço apelou a um cessar-fogo “imediato e incondicional entre as partes em conflito e à cessação de todas as hostilidades”.
Numa declaração emitida no final do encontro, o Presidente angolano manifestou “a mais viva preocupação” com as consequências e as ameaças que decorrem da situação no leste da RDC, pondo em causa “os esforços incansáveis e significativos empreendidos no quadro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com destaque para a Resolução 2773, e no dos processos de Washington e de Doha”.
“Nós, de facto, somos muito gratos por ele e pedimos ao Presidente angolano que continue a trabalhar nesse sentido (…), tem todo o nosso apoio e o apelo deve ser lançado a todos para chegarmos a ganhar essa paz, todo o mundo deve, de facto, aplicar-se”, referiu Donatien Babula Nshole.
Cumprimento dos acordos
João Lourenço exortou os Governos da RDCongo, do Ruanda e o Movimento 23 de Março (M23) a respeitarem e cumprirem os acordos assinados entre si, priorizando “uma solução pacífica do conflito e a salvaguarda dos direitos e interesses das populações, em conformidade com os processos de Washington e de Doha”.
Os Presidentes da RDCongo, Félix Tshisekedi, e do Ruanda, Paul Kagame, assinaram, em dezembro de 2025, em Washington, sob mediação do Presidente dos Estados Unidos da América, um acordo visando acabar com o conflito, garantir a retirada das tropas ruandesas do território congolês e a cessação do apoio às milícias armadas.
Contudo, após a assinatura do acordo, testemunhado por alguns chefes de Estado africanos, incluindo João Lourenço, a RDCongo tem-se queixado de que persistem os confrontos na região e as forças do M23 continuam a avançar em várias cidades.