A Sonangol já investiu cerca de 1,5 mil milhões de dólares na construção da Refinaria do Lobito, revelou o presidente do Conselho de Administração, Sebastião Gaspar Martins, sublinhando que o projecto continua a avançar apesar dos desafios financeiros.
Segundo o responsável, encontram-se já criadas várias condições essenciais para o início da actividade industrial, incluindo tanques de armazenamento, sistemas de acesso, infra-estruturas administrativas e mecanismos de recepção e expedição de produtos. No entanto, o investimento global necessário para a conclusão do empreendimento poderá atingir os 6,2 mil milhões de dólares, tendo em conta a complexidade técnica da refinaria.
“Procuramos outras fontes e parceiros, mas com o compromisso de não parar, seja qual for o custo, devido à importância que o projecto representa para a nossa soberania”, afirmou Sebastião Gaspar Martins, acrescentando que a empresa continua a negociar a aquisição de equipamentos de longo prazo, actualmente em fabrico em diferentes pontos do mundo.
Numa primeira fase, a refinaria deverá operar com um sistema simplificado, conhecido como “hidroskimming”, focado na destilação e tratamento de fracções leves para melhorar a qualidade dos combustíveis. Posteriormente, está prevista a introdução de unidades mais complexas, como o hidrocraqueamento, que permitirão aumentar a eficiência e diversificar a produção.
Entretanto, o ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, indicou que a obra atingiu 25% de execução física e 30% de execução financeira.
O governante assegurou que os trabalhos decorrem de acordo com o planeamento do Executivo angolano, destacando que, nesta fase, a refinaria é integralmente detida pela Sonangol, embora esteja aberta à entrada de parceiros, sejam estes investidores estrangeiros, governos ou entidades privadas nacionais.
Segundo Diamantino Azevedo, o projecto tem suscitado o interesse de vários actores, incluindo países da região e investidores privados, o que poderá reforçar a integração económica regional. A visita da ministra do Botswana enquadra-se nesse esforço de cooperação, devendo o seu governo avaliar uma eventual participação.
O ministro destacou ainda que o projecto vai além da infra-estrutura de refinação, integrando componentes marítimas e sistemas de abastecimento de água já praticamente concluídos. O objectivo estratégico passa por garantir a autossuficiência de Angola em derivados de petróleo e criar uma base sólida para o desenvolvimento da indústria petroquímica.
Neste contexto, referiu igualmente outros investimentos em curso, como o projecto de fertilizantes no Soyo e a expansão da capacidade de armazenamento na Barra do Dande, bem como iniciativas em Cabinda e Luanda.
Para o governante, o reforço da capacidade de refinação é crucial num cenário internacional marcado por instabilidade, nomeadamente no Médio Oriente, defendendo que a aposta em infra-estruturas nacionais constitui uma resposta estratégica aos desafios globais.
Relativamente à Refinaria de Cabinda, Diamantino Azevedo garantiu que a unidade se encontra operacional, contrariando informações que davam conta de dificuldades, e que já iniciou o fornecimento de derivados à província.

