“Higino Carneiro acusa estruturas do MPLA de bloquearem pagamento de quotas dos militantes”

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O pré-candidato à presidência do MPLA, general Higino Carneiro, denunciou publicamente alegadas dificuldades impostas aos militantes do partido na regularização das quotas, numa publicação feita na sua página oficial do Facebook.
As declarações surgem num momento de crescente expectativa em torno do Congresso do partido, marcado para este ano, e que poderá definir novos equilíbrios internos no seio do MPLA.
Segundo Higino Carneiro, a mobilização dos militantes em torno do próximo congresso é inédita quando comparada com a experiência que acumulou enquanto Primeiro Secretário do MPLA em várias províncias. “Nunca observei, enquanto fui Primeiro Secretário do MPLA em várias províncias, o que agora se está a verificar. O Congresso deste ano fará história”, escreveu o general.
O político afirma que existe uma “enorme vontade” por parte dos militantes em regularizar as quotas em atraso junto dos Comités de Acção do Partido. No entanto, denuncia que, em diversas províncias, particularmente nos municípios e comunas, os pagamentos estariam a ser recusados. De acordo com o pré-candidato, mesmo nos casos em que os militantes conseguem efectuar o pagamento, os serviços partidários alegadamente recusam-se a emitir recibos comprovativos.
Para Higino Carneiro, esta situação levanta sérias dúvidas sobre o funcionamento interno do partido e poderá limitar o exercício democrático no processo de apoio às candidaturas. Sem os recibos de pagamento das quotas, muitos militantes ficam impedidos de anexar os comprovativos exigidos às fichas de subscrição de apoio aos candidatos da sua preferência.
“Confesso que não entendo. O MPLA precisa de dinheiro e, ainda assim, não aceita que as quotas sejam regularizadas?”, questionou o general na mesma publicação. Higino Carneiro vai mais longe e interroga a situação financeira dos Departamentos de Administração e Finanças (DAF) do partido, sugerindo que a recusa em aceitar as quotas poderá indiciar uma aparente estabilidade financeira interna. “Os Departamentos de Administração e Finanças (DAF) do Partido gozam de tanta saúde financeira que o dinheiro da cotização, estabelecida estatutariamente, não faz falta ao Partido?”, escreveu.
As declarações do pré-candidato surgem numa altura particularmente sensível para o MPLA, partido no poder em Angola desde a independência, num contexto em que vários sectores internos defendem maior abertura, transparência e participação no processo político interno. Até ao momento, não houve reacção oficial da direcção do partido às acusações tornadas públicas por Higino Carneiro.
O IX Congresso Ordinário do MPLA está marcado para os dias 9 e 10 de dezembro deste ano, sob o lema “MPLA Compromisso com o Povo, Confiança no Futuro”. O processo de apresentação de candidaturas à liderança do partido decorre entre 28 de março e 25 de outubro.
O actual presidente do MPLA e chefe de Estado angolano, João Lourenço, está constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato como Presidente da República nas eleições gerais previstas para 2027. Ainda assim, caso seja reeleito presidente do partido no congresso de dezembro, poderá manter influência significativa na definição do futuro candidato presidencial da formação política.

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