SIC PROCURA ALEGADO LÍDER DE REDE INTERNACIONAL DE COCAÍNA APÓS MORTE DE “MULA” EM LUANDA

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O Serviço de Investigação Criminal (SIC), através da sua Direcção de Combate ao Narcotráfico, investiga uma rede internacional de tráfico de droga, com ramificações no Brasil, alegadamente liderada por Salvador Maya Daniel, cidadão nascido no Congo, mas com nacionalidade angolana.
Salvador Maya Daniel, filho de Kolo Moseka e Pedro Miguel, nasceu a 1 de Janeiro de 1979 e passou por Angola em 2010. Segundo os dados reunidos no âmbito da investigação, residia no bairro Palanca, na Rua do Bar Mathier 7/7, e actuava na zona dos Mártires do Kifangondo, onde estaria envolvido em operações de câmbio de dólares e tráfico de droga.
Foi nessa altura que, segundo a investigação, obteve a nacionalidade angolana e posteriormente o passaporte, tendo fugido para o Brasil depois de passar algum tempo detido em Luanda.
No Brasil, Maya ou Salvador Maya Alangi nome na rede social ter-se-á tornado, segundo a investigação, num traficante internacional, responsável pela exportação de grandes quantidades de droga para Angola, França e os dois Congos, ao longo de mais de 15 anos.
Este jornal apurou, contudo, que o seu percurso no tráfico de droga terá começado nos portos do Congo, Kinshasa e Brazzaville, na zona conhecida como Beach Ngobila, onde era conhecido pela alcunha de “Romani”.
Morte de uma “mula” desencadeou investigação
A morte do cidadão brasileiro Gibson de Paula Feitosa, de 49 anos, ocorrida a 18 de Fevereiro de 2025, no quarto número 305 do Hotel Beu Mar, em Luanda, levou as autoridades angolanas a aprofundarem as investigações à rede.
O cidadão brasileiro foi encontrado morto naquela unidade hoteleira, apresentando sinais de violência. Segundo os dados da investigação, tinha transportado no abdómen cerca de 94 cápsulas contendo cocaína.
Após a morte de Gibson de Paula Feitosa, as autoridades angolanas terão iniciado uma investigação mais minuciosa sobre esta célula. Segundo uma investigação do jornal Na Mira do Crime, a rede estará relacionada com outras três mortes de pessoas que terão actuado como “mulas”, transportando droga para Angola no abdómen e que acabaram por sofrer complicações que resultaram em morte.
Na sequência da divulgação da morte do cidadão brasileiro, o Na Mira do Crime alargou a investigação à República Federativa do Brasil, concretamente à cidade de São Paulo, onde, segundo as informações recolhidas, residirá o alegado líder do grupo, Salvador Maya, conhecido no círculo restrito da organização como “Le Lion de la Tribu de Yolo”.
A investigação identificou uma morada associada a Salvador Maya em São Paulo, na zona leste, na Rua Sabiá Laranjeira, 427, bairro Jardim Helena, CEP 08081-160. Segundo as informações recolhidas, poderá também ser encontrado com alguma frequência num bar localizado na Avenida Ipiranga, 939, no centro de São Paulo.
Alegada fuga para França e República Democrática do Congo
Na sequência do alerta das autoridades angolanas, fontes citadas pelo jornal afirmam que o alegado traficante estará a preparar a fuga, juntamente com a mulher, identificada como Janete Mabolia, filha de Emanuel Mabolla e Carlota Tamudele, com dupla nacionalidade angolana e brasileira, nascida a 30 de Outubro de 1987.
Segundo uma das fontes, Janete Mabolia encontra-se em parte incerta desde o último sábado e terá a intenção de viajar primeiro para França, já no próximo fim de semana, alegadamente transportando droga no intestino e nas partes íntimas.
O alerta das autoridades angolanas terá levado Maya a acelerar igualmente os preparativos para a sua fuga. A deslocação estará, segundo a investigação, a ser preparada para os próximos dias, tendo como destino a República Democrática do Congo, concretamente a região do Equateur, Bumba, e posteriormente Kinshasa, no bairro de Yolo, onde nasceu e onde mantém, segundo as fontes, uma extensa rede de contactos.
Maya, de acordo com a investigação, não possui dupla nacionalidade. As mesmas fontes alegam que já esteve detido no Brasil devido ao seu alegado envolvimento no tráfico de droga.
No Brasil, de acordo com as fontes citadas, o suspeito receberá droga de comparsas bolivianos e contará com a alegada protecção de agentes da polícia brasileira envolvidos em actos de corrupção.
O caso do cidadão brasileiro morto em Luanda
A investigação do Na Mira do Crime apurou ainda que o cidadão brasileiro que morreu no Hotel Beu Mar, em Luanda, terá passado primeiro por França, onde fez uma escala e deixou uma primeira remessa de droga.
Posteriormente, segundo as informações recolhidas, terá engolido outra quantidade de droga que transportou para Angola, em quantidade superior à que acabou por ser apreendida pelas autoridades.
Uma fonte citada pela investigação relatou que o cidadão brasileiro teria sido aliciado com a promessa de receber o triplo do valor inicialmente acordado.
“Ele disse ao brasileiro que iam pagar o triplo. Quando ele entrou em Angola, conseguiram apenas expelir pouca quantidade. Quando ele passou mal, levaram a pouca droga e deixaram-no no hotel”, afirmou a fonte.
A mesma fonte estabeleceu ainda uma ligação com outro caso de morte ocorrido em Angola: “Lembram-se de um rapaz que morreu em Angola na fila de embarque para a Turquia? É também trabalho do Maya. Apertem a mulher do Francisco que está presa em Angola; ela e o cunhado do Salvador são os principais aliados dele.”
Operação do SIC contra a alegada facção de Maya
Entretanto, o SIC realizou uma operação em Luanda que resultou na detenção de vários cidadãos alegadamente ligados à rede.
Entre os detidos está Patrício Ernesto Mbala, vulgo “Paty” ou “Mourinho”, de 45 anos, residente no bairro Calemba II, município do Kilamba Kiaxi. Segundo as autoridades, desempenhava funções de logística dentro da rede.
De acordo com o SIC, foi Patrício Ernesto Mbala quem, juntamente com a esposa, recebeu o cidadão brasileiro no aeroporto e assegurou a sua hospedagem no Hotel Beu Mar, onde seria feita a extracção da droga.
A cidadã Maria Lesa José, vulgo “Virgínia”, de 42 anos, esposa de “Paty”, é apontada como cúmplice na logística da rede.
Segundo as autoridades, Maria Lesa José informou o marido sobre a chegada da “mula” e participava na recepção e monitorização dos transportadores.
Foi detida a 8 de Julho de 2026, por volta das 20h48, no município do Kilamba Kiaxi, na posse de 84,46 gramas de cocaína pura.
Encontra-se internada no Estabelecimento Penitenciário de Viana, afecta ao presente processo-crime.
Outro dos detidos é Francisco Kama Samuel, vulgo “Tocha”, de 45 anos, residente no bairro Capolo II, município do Kilamba Kiaxi, apontado como intermediário ou distribuidor da rede.
No âmbito das diligências investigativas, Francisco Kama Samuel foi detido na via pública, na posse de 50 gramas de cocaína em pó. Durante uma busca domiciliária foram apreendidas mais 792 gramas da mesma substância.
Segundo o SIC, a droga terá sido recebida por indicação do fornecedor Salvador Maya, através de uma cidadã congolesa na República Democrática do Congo, para posterior comercialização.
As autoridades afirmam ter apurado ainda que o grupo actuará há mais de 15 anos com o referido fornecedor baseado no Brasil.
Droga, dinheiro e outros bens apreendidos
No decurso das operações foram apreendidos 926,46 gramas de cocaína em pó, bem como 119.000,00 kwanzas.
Foram igualmente apreendidos:
uma viatura da marca Geely LX, de cor vermelha; seis cartões multicaixa, entre os quais um utilizado para o pagamento da hospedagem da vítima; uma balança de precisão; telemóveis; documentos pessoais; documentos da viatura.
Durante o exame de necropsia realizado ao cadáver da vítima, foram extraídas 94 cápsulas contendo cocaína, uma das quais apresentava ruptura.
O SIC informa que as diligências investigativas prosseguem em estreita coordenação com as autoridades brasileiras, com o objectivo de responsabilizar todos os envolvidos, incluindo o alegado fornecedor residente no Brasil.
Fonte: AO24HORAS

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