No programa Tribuna Livre da Rádio Correio da Kianda, de 14 de Agosto último, David Mendes declarou: “A UNITA no poder [será] um terror. Quem não for da UNITA não será patriota”. Disse também que na CNE “William Tonet não obedecerá à UNITA, porque é independente e rebelde”.
As afirmações de David Mendes funcionam como uma tentativa de desmobilizar o apoio e o voto dos cidadãos na UNITA. Ele faz recurso à falácia do falso equivalente, à falácia da negação do antecedente e à falácia de Nirvana.
1 – Falácia do Falso Equivalente: ao dizer que “a UNITA no poder [será] um terror” e que “quem não for da UNITA não será patriota”, David Mendes alega que, tal como o MPLA (cuja governação tem sido de terror, desde os primórdios da Independência, com casos como a tragédia de 27 de Maio, a Sexta-Feira Sangrenta e o Massacre de Cafunfo), a UNITA, uma vez no poder, usará as instituições de defesa e segurança para realizar diversos actos de exclusão, segregação e terrorismo de Estado contra todos quantos não pertençam às suas fileiras ou discordem das suas opções de governação. Basicamente, David Mendes invectiva que a UNITA é igual ao MPLA.
2 – Falácia da negação do antecedente: David Mendes alega que, uma vez a UNITA no poder, se algum angolano não for militante seu, então não será patriota.
3 – Falácia de Nirvana: ao dizer que na CNE “William Tonet não obedecerá à UNITA, porque é independente e rebelde”, alega que, não sendo William Tonet obediente e dependente, não servirá como comissário eleitoral. Desqualifica William Tonet à luz da mentira de que ele é uma pessoa que não tem sentido de compromisso. Por outro lado, alega que, se a UNITA não é imaculada, não servirá para realizar Angola.
As afirmações de David Mendes, para além de serem uma tentativa de desmobilizar o apoio e o voto dos cidadãos eleitores na UNITA, fazem dele um agente da estratégia do Regime do MPLA de travamento da ascensão da UNITA ao poder.
Ora, a decadência do MPLA não pode ser travada ou impedida, porque as suas razões ultrapassam o MPLA. A vontade popular pela alternância e mudança, o tempo e a razão histórica são elementos que o MPLA não pode controlar nem manipular.
A queda do MPLA é inevitável.
A ascensão da UNITA ao poder é um processo que está a ser gerido através de um mecanismo de inteligência organizacional chamado Estratégia da UNITA para a Alternância, cujos detalhes não revelo aqui por razões óbvias.
A UNITA olhou para o tempo histórico angolano e ajustou-se às suas demandas. À luz da sua Estratégia para a Alternância, está já nas fases derradeiras da sua adequação para Frente Ampla para a Alternância, fazendo jus ao seu nome. Sendo União Nacional para Independência Total de Angola, o alcance da alternância passa pela união de todos quantos convergem e comungam com a causa de realizar Angola.
Nuno Álvaro Dala

