RPP (REAL PARTIDO DO POVO), ANALISA AS DECLARAÇÕES DE NORBERTO GARCIA: APROXIMAÇÃO AO POVO NÃO BASTA PARA GARANTIR MAIORIA QUALIFICADA EM 2027

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O RPP — Real Partido do Povo, na voz do seu líder, Dr Mukanda Dya Nzambi, Líder Mukanda LM32, ouviu atentamente as recentes declarações de Norberto Garcia, dirigidas aos seus camaradas do MPLA.

Do ponto de vista político, social e estratégico, consideramos que a intervenção de Norberto Garcia é positiva para o próprio MPLA, sobretudo pela defesa de uma maior aproximação entre os dirigentes do partido MPLA e as comunidades.

Num contexto pré-eleitoral, essa preocupação é legítima e pode contribuir para a recuperação da confiança popular.

Entretanto, é necessário fazer uma distinção fundamental: aproximar-se do povo não é o mesmo que reconquistar o povo.

Se essa aproximação acontecer apenas quando se aproximam as eleições, como muitas vezes tem acontecido na política angolana, dificilmente produzirá resultados duradouros.

O povo não precisa apenas de dirigentes que apareçam nas comunidades durante períodos eleitorais; precisa de dirigentes presentes, acessíveis e capazes de transformar as suas preocupações em políticas públicas concretas.

O MPLA precisa fazer as pazes com o povo.

O MPLA precisa, antes de tudo, reconstruir a relação de confiança com a sociedade.

Governar não significa apenas administrar instituições.

Significa compreender as dificuldades concretas das populações e apresentar respostas capazes de melhorar as suas condições de vida.

Se o MPLA conseguir efetivamente fazer as pazes com o povo, governar para o povo e recuperar a confiança das comunidades, o espaço político para aventureiros e manipuladores sociais poderá naturalmente diminuir.

Mas essa reconciliação não pode ser feita apenas através de discursos.

Deve ser acompanhada por programas concretos, metas mensuráveis e políticas públicas capazes de reduzir as assimetrias regionais, combater a pobreza e criar oportunidades para a juventude.

As assimetrias regionais continuam visíveis.

A fome e as dificuldades económicas afetam numerosas famílias, enquanto uma parte significativa da juventude permanece vulnerável perante o desemprego, a precariedade e a falta de oportunidades.

Por isso, não basta um dirigente do MPLA chegar a uma comunidade num veículo mais simples, apertar a mão dos cidadãos e ouvir as suas preocupações.

A aproximação política só produz confiança quando vem acompanhada de soluções.

A questão ideológica levantada por Norberto Garcia.

Norberto Garcia também afirmou que o MPLA é um partido de esquerda.

Historicamente, é possível compreender essa afirmação dentro da trajetória ideológica do MPLA.

O partido nasceu associado a uma matriz de esquerda e, durante determinados períodos da sua história, apresentou-se claramente dentro desse campo político.

Entretanto, na leitura do Líder Mukanda LM32, houve uma transformação profunda na prática política e económica do partido.

Com a evolução económica do país, a acumulação de capital e a transformação das elites políticas e económicas, a distância entre determinados princípios históricos da esquerda e a realidade social vivida por grande parte da população tornou-se evidente.

O problema, portanto, não está apenas na classificação do MPLA como partido de esquerda.

A questão fundamental é saber até que ponto as políticas públicas implementadas correspondem efetivamente aos interesses das maiorias populares.

A arrogância de determinados dirigentes, a falta de empatia, a incompetência administrativa, práticas de corrupção e políticas públicas mal executadas contribuem para o afastamento entre o Estado e o cidadão.

E aqui permanece atual uma das grandes referências políticas de Angola, Agostinho Neto, quando colocou no centro da ação política a necessidade de resolver os problemas do povo. O mais importante é reolver os problemas do povo.

A oposição também deve apresentar soluções.

Norberto Garcia teve igualmente mérito ao reconhecer que alguns partidos posicionados à direita têm conseguido aproximar-se das comunidades e construir uma comunicação política mais eficaz junto de determinados segmentos da população.

Essa realidade merece ser analisada sem preconceitos ideológicos.

Na visão do Líder Mukanda LM32, as fronteiras tradicionais entre esquerda e direita tornaram-se, em muitos contextos contemporâneos, menos rígidas.

Muitas forças políticas de diferentes orientações ideológicas utilizam estratégias semelhantes de comunicação, mobilização social e aproximação às comunidades.

O RPP, contudo, não se define nem como partido de esquerda nem como partido de direita.

O RPP é um partido de matriz Afrocentrista, assente numa visão conservadora ancestral, procurando colocar a realidade histórica, cultural, social e económica dos povos africanos no centro da sua visão política.

Maioria qualificada não se conquista apenas com carros humildes.

É precisamente neste ponto que fazemos a nossa principal ressalva à intervenção de Norberto Garcia.

A ideia de que uma maior aproximação dos dirigentes às comunidades e a utilização de meios mais modestos poderá, por si só, conduzir o MPLA a uma maioria qualificada em 2027 é politicamente insuficiente.

A maioria qualificada não se conquista através de símbolos.

Conquista-se através de confiança política, desempenho governativo, capacidade económica, credibilidade institucional e resultados concretos.

O MPLA precisa de realizar um trabalho muito mais profundo: técnico, social, económico e científico.

Precisa compreender o estado psicológico da sociedade, identificar as causas da frustração popular, recuperar a confiança nas instituições e apresentar respostas concretas para os problemas quotidianos.

O cidadão não precisa apenas de esperança.

Precisa de emprego, alimentação, saúde, educação, habitação, segurança e oportunidades.

O povo precisa de soluções concretas.

Precisa de arroz no prato.

Para 2027, o MPLA precisará de construir pontes.

Se o objetivo político for alcançar uma maioria qualificada em 2027, o MPLA não dependerá apenas da sua própria estrutura partidária.

Precisará convencer setores independentes da sociedade civil, ouvir os patriotas, dialogar com diferentes organizações sociais, construir pontes com as comunidades e demonstrar que aprendeu com os erros do passado.

Mais do que uma campanha eleitoral, será necessário um processo de reconquista da confiança social.

É neste ponto que o RPP considera que a intervenção de Norberto Garcia deve ser encarada como um ponto de partida e não como uma fórmula eleitoral.

A posição do RPP.

O RPP — Real Partido do Povo assume-se como uma força de oposição ao Governo e como Oposição Extraparlamentar.

Contudo, fazer oposição não significa desejar o fracasso do país.

Nós torcemos para que a governação do MPLA dê certo, porque, se a governação der certo, quem ganha é o povo angolano.

O RPP não pretende sabotar a governação do MPLA, não promove arruaças nem manipula o povo.

Criticamos aquilo que consideramos errado, apoiamos aquilo que consideramos correto e apresentamos propostas e soluções concretas para Angola.

A oposição, na nossa visão, não deve limitar-se a denunciar problemas.

Deve também apresentar caminhos para resolvê-los.

Angola precisa de uma oposição capaz de fiscalizar, propor, estudar e construir alternativas e não de forças políticas cuja única estratégia seja incentivar o confronto permanente sem apresentar soluções concretas para a vida das populações.

Conclusão.

A intervenção de Norberto Garcia foi estratégica e, do ponto de vista político, benéfica para o MPLA, porque reconhece uma realidade fundamental: nenhum partido pode vencer eleições de forma sustentável se estiver distante das comunidades.

Mas é preciso dizer claramente:

aproximação ao povo não é sinónimo de reconquista do povo.

E muito menos garante, por si só, uma maioria qualificada.

Para alcançar esse objetivo em 2027, o MPLA terá de fazer muito mais do que mudar os carros dos dirigentes ou aumentar a presença nas comunidades.

Terá de reconstruir confiança, corrigir políticas públicas, combater as assimetrias regionais, responder às necessidades económicas da população, ouvir a sociedade civil, recuperar a empatia institucional e demonstrar resultados concretos.

Porque, no final, a política não se mede pela aparência da proximidade.

Mede-se pela capacidade de transformar a vida do povo.

RPP — Real Partido do Povo

Secretariado Nacional do RPP.

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