Amnistia Internacional pede libertação de ativista angolano General Nila

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A Amnistia Internacional pediu hoje a libertação do líder da União Nacional para a Revolução Total de Angola (UNTRA), que está detido há 250 dias, acusando as autoridades de não apresentarem provas credíveis e de obstruírem o processo.

“Passados 250 dias desde o tiroteio contra o General Nila e a sua subsequente detenção, as autoridades angolanas não apresentaram provas credíveis contra ele, enquanto têm obstruído repetidamente o acesso dos seus advogados ao processo, suscitando sérias preocupações quanto às garantias de um julgamento justo e ao respeito pelas garantias processuais”, disse o diretor regional da Amnistia Internacional (AI) para a África Oriental e Austral, Tigere Chagutah, num comunicado.

Tigere Chagutah afirmou que o caso do presidente da UNTRA, organização da sociedade civil, “ilustra a repressão crescente das autoridades angolanas contra ativistas”, que castiga e silencia “a dissidência com impunidade”.

Nos últimos anos, Serrote José de Oliveira, conhecido por General Nila, tem sido uma voz contra a injustiça em Angola, organizando manifestações pacíficas e defendendo a libertação de ativistas detidos arbitrariamente.

O líder da UNTRA, um dos grupos que organizou os protestos em julho de 2025 em resposta a um aumento dos preços dos combustíveis e dos custos de transporte, foi detido várias vezes durante manifestações pacíficas.

O ativista General Nila foi alvejado pelas forças de segurança quando parou para filmar/transmitir em direto o primeiro dia de uma greve em Luanda, enquanto se dirigia ao hospital para visitar um familiar.

Desde a sua detenção, o seu caso tem-se caraterizado por falta de transparência quanto à base jurídica para a sua detenção prolongada, minando a confiança no processo judicial e suscitando preocupações quanto à sua detenção arbitrária.

Enquanto aguarda a sua libertação, a organização de defesa dos direitos humanos apelou ao Governo angolano para garantir o respeito pelas normas internacionais de justiça, permitindo o acesso imediato e total da defesa a todos os documentos relacionados com o caso.

No sábado, a polícia angolana impediu a realização de uma marcha pela libertação de ativistas, iniciativa da UNTRA, em Luanda, capital de Angola, e deteve dois ativistas.

Em 25 de outubro de 2025, a sociedade civil organizou uma vigília “pela liberdade dos presos políticos”, mas foram também impedidos pelas autoridades.

Os ativistas Osvaldo Caholo, Serrote José de Oliveira “General Nila”, André Miranda, Kiluanje Lourenço, Buka Tanda, Gonçalves Frederico “Fredy” e Soba Príncipe, detidos em julho na sequência da manifestação dos estudantes e da paralisação dos taxistas contra a subida dos combustíveis, e mais cinco líderes de associações e cooperativas de táxi, são considerados “presos políticos” por ativistas e membros da sociedade civil.

Os detidos estão indiciados dos crimes de rebelião, apologia ao crime, vandalismo e terrorismo.

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