DISCURSO DE MARCY LOPES DURANTE A CERIMONIA DE INAGURAÇÃO DO MEMORIAL EM HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DOS CONFLITOS POLÍTICOS OCORRIDOS EM ANGOLA DE 1975 A 2002
EXCELÊNCIA SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA
EXCELÊNCIA MUI DIGNA PRIMEIRA DAMA DE ANGOLA
EXCELÊNCIA SENHORA VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
EXCELÊNCIA SENHOR PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA NACIONAL
VENERANDOS PRESIDENTES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES
DIGNÍSSIMO PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA
EXCELÊNCIAS MINISTROS, DEPUTADOS À ASSEMBLEIA NACIONAL,
TITULARES E REPRESENTANTES DE ÓRGÃOS DO ESTADO,
AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS, TRADICIONAIS E REPRESENTANTES DA SOCIEDADE CIVIL
SENHORAS E SENHORES
BOM DIA!!!
A história do nosso país é constituída por vários episódios, bons e maus. Porém, é essa mesma história que nos identifica e nos orgulha.
Hoje, como se lê numa das estrofes do nosso Hino Angola Avante, “honramos o passado e a nossa história”.
Hoje fazemos história porque o Memorial que se irá inaugurar é uma homenagem às pessoas, às vítimas dos conflitos ocorridos no nosso país no período entre 1975 a 2002. É, também, uma manifestação de respeito aos acontecimentos que lhe serviram de fundamento e um símbolo da nossa história que se ergue na cidade de Luanda ao qual ninguém ficará indiferente. O seu imenso significado histórico está bem patente na imponência majestosa que este edifício possui.
Este Memorial é, ainda, a representação real do perdão, de cura colectiva, de pacificação das almas, de superação de mágoas e de reconciliação por via do abraço que constitui a forma arquitectónica do edifício.
A história que hoje se regista nas paredes deste Monumento, foi escrita com sangue, suor e lágrimas de angolanos.
Fomos nós angolanos que estivemos em conflito, fomos nós angolanos que fizemos a paz, somos nós angolanos que fizemos e fazemos a reconciliação nacional todos os dias e somos nós angolanos que estamos a fazer a reconstrução nacional.
EXCELÊNCIAS
SENHORAS E SENHORES
Na sua Mensagem à Nação em memória às vítimas dos conflitos políticos, Sua Excelência o Senhor Presidente referiu e cito: “o nosso propósito comum é o de restaurar a nossa nação, curar as nossas feridas e renovar a nossa esperança”. Fim de citação.
Neste dia, vimos todos um Chefe de Estado, o nosso Presidente, derramar lágrimas carregadas de emoção e de sentimentos enquanto se dirigia à Nação. Isso não é sinónimo de fragilidade. É manifestação de humanidade!
Este processo é e tem sido um turbilhão de emoções, de revelações, de sentimentos e de muitas lágrimas vertidas.
Lágrimas pela perda, lágrimas pelo sofrimento, lágrimas pelo que foi, lágrimas pelo que poderia ter sido, lágrimas de mágoa, lágrimas de conforto, lágrimas de agradecimento, lágrimas de perdão, lágrimas pelo serenar das almas, lágrimas por finalmente … finalmente aconchegar corações enlutados, por finalmente saber o que aconteceu, por finalmente encerrarmos esta página da nossa história e fazermos as pazes com o nosso passado.
Lembro-me particularmente de um episódio que ocorreu durante um acto de entrega de restos mortais aos familiares pela CIVICOP. Estávamos todos os membros da Comissão sentados na mesma fila e as emoções fortes do momento fizeram escorrer lágrimas pelos nossos rostos. O Ministro do Manuel Homem estava sentado ao meu lado e disse-me: “alguém arranja aí um guardanapo, aqui ninguém é de ferro”. O guardanapo chegou pelas mãos da Ministra Ana Paula do Sacramento Neto que também chorava. Choramos todos, curámo-nos todos.
Não foi uma demonstração de fragilidade. Foi uma manifestação de humanidade!
SENHORAS E SENHORES
EXCELÊNCIA SENHOR PRESIDENTE
Uma palavra DE ENORME GRATIDÃO é devida à Vossa Excelência.
Queremos agradecer Excelência Senhor Presidente, pela honrosa e prestigiante oportunidade de fazermos parte da história da nossa história.
Agradecemos em nome de toda equipa que integra a CIVICOP, desde os membros da Comissão, governos provinciais, dos órgãos de defesa e segurança, os técnicos especialistas, consultores, funcionários administrativos, motoristas, guias, coveiros e a todos os cidadãos que ajudaram-nos a alcançar os nossos objectivos.
Agradecemos, Excelência Senhor Presidente, por ter tido a coragem da iniciativa, a persistência da decisão e a visão de realização.
Agradecemos por permitir que este grupo de angolanos contribuísse para a consolidação do processo de reconciliação nacional, em que construir é mais importante do que falar, em que o abraçar o próximo é mais importante do que criticar sem nada fazer.
Este edifício em que nos encontramos hoje é exactamente isso: o resultado de uma visão, associada a uma vontade inabalável de realizar.
E nós realizamos Excelência Senhor Presidente. CUMPRIMOS!!
Demos o nosso melhor, superamos as dificuldades, desafiamos as críticas, e concluímos o processo.
Aqui o abraço solidário virou Monumento. Um Monumento com história, um Monumento com significado, um Monumento para lembrar-nos a todos e às gerações vindouras que abraçar-nos é a primeira opção para mantermo-nos unidos como país, como irmãos, como filhos de uma mesma e única pátria.
As nações não nascem feitas, elas constroem-se ao longo do tempo. E aqui, hoje, construímos mais um pilar da nossa nação, com a pátria unida … como um só povo e uma só nação!
No final, uma frase:
Excelência Senhor Presidente: VALEU A PENA!!!
MUITO OBRIGADO
Luanda, 14 de Outubro de 2026

