DÍVIDA ANGOLANA SOBE 9,12 POR CENTO NO PRIMEIRO SEMESTRE PARA 72 MIL MILHÕES DE DÓLARES

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A dívida governamental angolana aumentou 9,12 por cento no primeiro semestre, face a Dezembro do ano passado, para 72 mil milhões de dólares, segundo dados apresentados esta Segunda-feira em Luanda.
O balanço do Plano Anual de Endividamento (PAE) foi apresentado esta Segunda-feira no Museu da Moeda pelo director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), Dorivaldo Teixeira.
O crescimento da dívida explica-se sobretudo pelas emissões de Eurobonds, disse o responsável, sublinhando que o financiamento está agora menos concentrado no curto prazo, o que melhora o perfil negocial do Estado e visa reduzir as taxas de juro. Transportes e energia estão entre os sectores que mais consomem financiamento.
Do total, a dívida externa representava 50,91 mil milhões de dólares, mantendo o maior peso na carteira, enquanto a dívida interna ascendia a 21,14 mil milhões de dólares.
O endividamento líquido executado no semestre, no valor de 4.327,1 mil milhões de kwanzas, excedeu em 5,2 por cento o limite programado no PAE, um desvio de 214,7 mil milhões de kwanzas que Dorivaldo Teixeira desvalorizou, já que deverá ser absorvido com as amortizações do segundo semestre.
As tensões geopolíticas, nomeadamente a guerra no Irão, provocaram aumentos na cotação do petróleo, principal produto de exportação angolano, fazendo subir o preço por barril, mas os ganhos foram limitados por constrangimentos na produção.
Ainda assim, a escalada dos preços no mercado petrolífero aliada à diminuição da percepção do risco, beneficiou a dívida angolana nos mercados externos, permitindo ao Estado refinanciar-se a taxas mais favoráveis do que nos últimos anos.
Angola regressou em Março ao mercado internacional de capitais e voltou a emitir em Maio, mobilizando cerca de quatro mil milhões de dólares em Eurobonds — 2,5 mil milhões na primeira operação e 1,5 mil milhões na segunda, destacou o secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, na sessão de abertura.
As operações incluíram a recompra antecipada de obrigações no valor total de 1,2 mil milhões de dólares, para aliviar a concentração de amortizações em 2028 e 2029, acrescentou.
No semestre, as emissões e desembolsos totalizaram 9,9 mil biliões de kwanzas e as amortizações efectivas 5,6 biliões milhões de kwanzas.
Já a dívida garantida por petróleo recuou de 7,37 mil milhões de dólares no final de 2025 para 6,83 mil milhões em Junho, destacou o governante, para quem “a sustentabilidade das finanças públicas não pode depender de forma permanente da evolução de uma única matéria-prima”.
Ottoniel dos Santos advertiu, porém, que o peso do serviço da dívida, a exposição cambial elevada e a volatilidade das condições de financiamento internacional continuam a limitar a margem orçamental, afirmando que o trabalho deve continuar “sem triunfalismos”.

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