Empresários e produtores das áreas agrícola e pecuária manifestaram fortes críticas à atuação da equipa governamental liderada pelo Ministro de Estado para a Coordenação Económica, que recentemente se deslocou à província de Benguela para apresentar um programa de apoio às empresas e famílias afetadas pelo transbordo do rio Cavaco.
Fonte: Club-k.net
Segundo os agentes económicos ouvidos, a iniciativa, embora considerada necessária, ficou marcada por falhas organizativas, ausência de comunicação clara e dúvidas quanto à transparência do processo.
Uma das principais críticas prende-se com o local escolhido para a realização do encontro. A reunião decorreu nas instalações de uma empresa privada, apesar da existência de infraestruturas públicas disponíveis, o que, na ótica dos empresários, levanta questões sobre o simbolismo da escolha e o alinhamento com o interesse público.
Os participantes apontam também desorganização e falta de orientação adequada aos lesados. A exigência de certificação por parte dos serviços de bombeiros foi referida sem que fossem apresentados procedimentos claros para a sua obtenção, gerando confusão e deslocações desnecessárias.
Outro ponto destacado é a ausência de critérios objetivos para o acesso aos apoios anunciados. Os empresários afirmam que não foram devidamente informados sobre os requisitos, nem sobre os locais e mecanismos de submissão dos pedidos, o que levanta receios quanto à transparência e equidade do processo.
O papel do Banco de Poupança e Crédito (BPC), indicado como instituição financeira de referência para operacionalizar os apoios — estimados até 300 milhões de kwanzas —, também foi alvo de críticas. Segundo os presentes, o banco não prestou esclarecimentos suficientes sobre as condições de acesso ao financiamento.
Igualmente questionada foi a ausência de intervenção visível do Fundo de Garantia, apontado como elemento-chave para viabilizar o acesso ao crédito, sobretudo para pequenos e médios produtores.
Os empresários consideram ainda que o programa apresentado não atende às especificidades dos diferentes setores económicos. Argumentam que as medidas parecem orientadas sobretudo para a indústria, desconsiderando as particularidades da agricultura e da pecuária, cujos ciclos produtivos são mais longos e dependentes de fatores naturais.
Neste sentido, o regime de carência de juros foi considerado desajustado à realidade dos produtores rurais, que necessitam de prazos mais alargados para recuperar a atividade e gerar retorno financeiro.
A organização do encontro também foi criticada pelo seu caráter pouco inclusivo. Vários lesados afirmam não ter sido informados atempadamente, enquanto outros foram convocados com pouca antecedência, enfrentando dificuldades logísticas para participar, incluindo deslocações de longa distância.
Por fim, foram levantadas preocupações quanto ao risco de aproveitamento indevido dos apoios, com relatos de possíveis tentativas de influência por parte de indivíduos externos ao grupo de lesados.
Apesar das críticas, os empresários reconhecem a importância da iniciativa governamental, mas defendem a necessidade urgente de सुधारar os mecanismos de implementação. Entre as recomendações, destacam a melhoria da comunicação institucional, a definição de critérios claros e transparentes, a adaptação das medidas às diferentes realidades setoriais e o reforço da fiscalização, de modo a garantir que os apoios cheguem efetivamente aos beneficiários legítimos.

