A crescente pressão sobre os serviços funerários da capital, marcada pela insuficiência da capacidade das morgues e pela necessidade de melhorar as condições de conservação dos cadáveres, levou o Governo Provincial de Luanda a avançar com um plano de expansão das infra-estruturas funerárias, que inclui a construção de novas morgues em cinco municípios e a instalação do primeiro crematório público da província.
A iniciativa, integrada no Programa Especial de Luanda (PEL), pretende reforçar a capacidade de resposta do sistema funerário, melhorar o atendimento às famílias enlutadas e elevar os padrões de saúde pública, numa altura em que as actuais infra-estruturas enfrentam problemas de sobrelotação.
Durante a cerimónia de consignação das obras, o governador provincial de Luanda, Luís Nunes, anunciou que o projecto contempla a construção do primeiro crematório público da capital, a ser instalado no Cemitério do Benfica, no município de Talatona.
Além do crematório, serão construídas a Morgue Central do Kilamba Kiaxi e a Morgue Central do Hospital Josina Machel – Maria Pia, ambas com capacidade para 150 gavetas cada.
O plano prevê igualmente a construção de novas morgues nos municípios do Cazenga e Belas, com capacidade para 100 gavetas cada, enquanto a morgue de Viana será totalmente apetrechada, aumentando a sua capacidade para 117 gavetas.
Resposta à crescente procura
Embora o Executivo Provincial apresente o projecto como uma medida de modernização dos serviços públicos, o reforço da capacidade das morgues surge num contexto em que a elevada procura tem colocado pressão sobre as infra-estruturas existentes, frequentemente confrontadas com limitações na conservação de cadáveres e no atendimento às famílias.
Segundo Luís Nunes, o investimento visa assegurar maior dignidade no tratamento dos corpos e melhores condições para as famílias durante o período de luto.
“Uma sociedade verdadeiramente humana mede-se pela forma como cuida daqueles que partiram e como ampara as famílias nos momentos de maior dor”, afirmou o governador.
O responsável acrescentou que, embora nenhuma infra-estrutura elimine o sofrimento provocado pela perda de um familiar, cabe ao Estado criar condições que permitam minimizar esse momento, garantindo serviços públicos mais eficientes e humanizados.
Financiamento desbloqueado
A construção das novas infra-estruturas resulta da execução de um Despacho Presidencial aprovado em 2023, cujo financiamento externo apenas foi assegurado recentemente.
Luís Nunes reconheceu que o processo sofreu atrasos devido às dificuldades na mobilização dos recursos financeiros.
“Custou muito fechar o financiamento. Só agora conseguimos reunir as condições para dar o pontapé de saída. Mais vale tarde do que nunca”, declarou.
As futuras morgues serão equipadas com salas de autópsia, áreas de preparação e higienização dos corpos, câmaras frigoríficas modernas e espaços destinados ao atendimento simultâneo de duas famílias.
As infra-estruturas vão igualmente dispor de áreas técnicas, zonas para tratamento de resíduos hospitalares, dormitórios e instalações de apoio aos trabalhadores, permitindo maior eficiência operacional e melhores condições de biossegurança.
Investimento de 7,5 milhões de euros
As empreitadas foram adjudicadas às empresas Makber S.A. e Opaia Europa, representando um investimento global de 7,5 milhões de euros. O prazo previsto para a conclusão das obras é de 18 meses.
Paralelamente, o Governo Provincial anunciou a requalificação integral do Cemitério do Benfica, intervenção que incluirá melhorias nas vias de acesso e beneficiará das obras de urbanização actualmente em curso na zona do Lar do Patriota.
Obras integram plano de modernização de Luanda
Durante a cerimónia foi igualmente apresentado o ponto de situação das obras do Programa Integrado de Infra-estruturas de Luanda (PIIL) no município do Kilamba Kiaxi.
Entre os principais projectos destacam-se a requalificação das ruas do Catinton, Matadide e Caminho-de-Ferro, bem como a construção da Ponte do Catinton, com cerca de 70 metros de extensão, considerada estratégica para melhorar a mobilidade, o saneamento, a drenagem e a ligação entre diferentes bairros do município.
Segundo Luís Nunes, estas empreitadas apresentam uma execução física média de 49,5% e integram a estratégia do Executivo Provincial para modernizar as infra-estruturas urbanas e melhorar as condições de vida da população da capital.

