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Angola chora Waldemar Bastos

Angola “acordou”, esta segunda-feira, com a triste notícia da morte de Waldemar Bastos, por doença, facto que a sociedade considera “duro golpe” à cultura.

Após a confirmação oficial da morte do músico, que já era especulada nas redes sociais, várias personalidades da vida artística e social do país reagiram com espanto ao acontecimento.

Waldemar Bastos morreu na madrugada desta segunda-feira, em Lisboa (Portugal), aos 66 anos de idade, deixando um vasto repertório, que se iniciou em África e ganhou o Mundo.

O artista foi por várias décadas referência da música angolanas na Europa e nos Estados Unidos da América, onde teve, em 1999, o CD “Black Light” apontado como um dos melhores da época, pelo jornal New York Times.

Nas redes sociais, vários artistas, governantes, jornalistas e actores da sociedade civil continuam a destacar as qualidades do autor de temas clássicos, como “Pitanga Madura” e “Velha Chica “.


Na sua página de Facebook, o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem, escreve “Eterna gratidão! Descansa em paz”.

Por sua vez, o nacionalista Ruy Mingas destaca que partiu “uma figura tão significativa da música moderna Angolana, criadora de canções de particular sensibilidade melódica e rítmica.

“Ele foi efectivamente o criador de temas que representaram para todos nós momentos particularmente felizes, como ‘Dona Chica’, Lubango e outros temas que marcaram os amantes da música angolana”.

O também músico escreve “Deixa saudades a todos nós e oxalá , as gerações vindouras preservem as belas canções produzidas por esta grande figura da nossa música que precocemente nos abandona”.

Por seu turno,  Gabriel Tchiema escreve “o que dizer mais diante de tamanha perda? Apenas dor”.

Com o mesmo sentimento de pesar, a cantora Irina Vasconcelos  recorre à passagem de uma das músicas do artista “Xê menino não fala política”, para exteriorizar o seu sentimento de perda.

“Até sinto as pernas bambas, um aperto na alma. Inexplicável sentimento. Descansa com as estrelas guru” , escreve na página no faceboock.

O promotor musical Yuri Simão, responsável da empresa Nova Energia, lembra o artista, que já levou para o palco, no âmbito do projecto Show do Mês, com a frase “mungweno” (até amanhã).

O mesmo sentimento é exteriorizado pelo político Vicente Pinto de Andrade, que considera Waldemar Bastos um homem integro, cuja voz e postura marcaram a história recente do país.

De igual modo, os jornalistas Carlos Gonçalves, Alberto Cafussa, Honorato Silva e Reginaldo Silva destacam, igualmente, a morte do artista nas suas páginas oficiais de Facebook.

“Conhece-mo-nos antes da Primeira Grandeza. Muita angústia e tristeza. Mas também imenso prazer e muitas alegrias. Fica a música e o teu amor pela tua terra”, escreveu Carlos Gonçalves.

Já Alberto Cafussa assinalou na sua página “Mais um pesado golpe. Angola em apuros…”, enquanto Honorato Silva escreveu “Ídolo que se disponibilizava para falar de música com um leigo. Assim também não, 2020!”.

Reginaldo Silva lembra o artista com uma foto conjunta, postada na sua página, sem legendar.

Para a arquitecta Ângela Mingas, Angola perde um dos seus filhos mais notáveis. “Uma perda para a música e para todos nós”, escreveu.

Já o instrumentista Octavio Laguna escreve, também no facebook, “Fica o tesouro, lalipo Waldemar Bastos”.

A morte de Waldemar Bastos é manchete em vários meios de comunicação social de Angola e do Mundo, que destacam a trajectória do artista, que experimentou vários géneros musicais.

(Por dentro)

Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos, conhecido como Waldemar Bastos, nasceu em M’Banza Kongo, capital da província do Zaire, a 4 de Janeiro de 1954.

Começou a cantar em idade muito precoce, utilizando instrumentos do seu pai. Após a independência, em 1975, rumou para Portugal.

Em mais de 40 anos de carreira, foi distinguido com um Diploma de Membro Fundador da União dos Artistas e Compositores (UNAC-SA) e com Prémio Award, em 1999, pela World Music.

Em 2018, foi distinguido com o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de música.

Discografia

1983: Estamos Juntos (EMI Records Ltd) 989: Angola Minha Namorada (EMI Portugal) 1992: Pitanga Madura (EMI Portugal) 1997: Pretaluz [blacklight] (Luaka Bop) 2004: Renascence (World Connection) 2008: Love Is Blindness (2008) 2012: Classics of my soul (2012)

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