O secretário do Bureau Político do MPLA para a Organização, Mobilização, Organizações Sociais e Sociedade Civil, Gonçalves Manuel Muandumba, defendeu esta quinta-feira, na cidade de Kibaha, Tanzânia, a necessidade de os antigos movimentos de libertação africanos reforçarem a cooperação política e económica face aos actuais desafios geopolíticos e de desenvolvimento.
Fonte: Club-k.net
Falando em representação do secretário-geral do MPLA, Paulo Pombolo, durante o Diálogo de Alto Nível entre o Partido Comunista da China e os secretários-gerais dos partidos históricos de libertação da África Austral, Muandumba afirmou que os desafios contemporâneos exigem “máxima atenção e escrutínio”, sobretudo num contexto internacional marcado por guerras, corrida armamentista e instabilidade geopolítica.
No encontro, que reuniu dirigentes da FRELIMO, SWAPO, ANC, ZANU-PF, MPLA e do partido tanzaniano Chama Cha Mapinduzi, o dirigente angolano destacou os laços históricos entre Angola e a Tanzânia durante a luta de libertação nacional.
Muandumba recordou o apoio prestado pela Tanzânia aos movimentos independentistas angolanos e evocou o papel do antigo Presidente tanzaniano Julius Nyerere no acolhimento de combatentes angolanos e da família do primeiro Presidente de Angola, Agostinho Neto.
O dirigente do MPLA fez igualmente referência à histórica conferência proferida por Agostinho Neto em Dar es Salaam, em Fevereiro de 1974, intitulada “Quem é o Inimigo… Qual é o Nosso Objectivo?”, afirmando que a mensagem do fundador da nação angolana continua actual perante os desafios do neocolonialismo, da pobreza e da dependência económica.
No seu discurso, Muandumba sublinhou ainda o papel desempenhado por Angola durante a presidência rotativa da União Africana entre Fevereiro de 2025 e Fevereiro de 2026, período em que, segundo afirmou, o Presidente João Lourenço promoveu iniciativas ligadas à Agenda 2063, ao reforço da integração africana e à mobilização de parcerias estratégicas para infraestruturas resilientes.
O responsável do MPLA criticou a crescente corrida armamentista mundial, alertando que o aumento dos gastos militares está a comprometer investimentos no combate à fome, à pobreza e às alterações climáticas.
Durante a intervenção, Gonçalves Muandumba destacou também o modelo de desenvolvimento da China, considerando que o socialismo com características chinesas representa uma experiência “transformadora” para o Sul Global.
O dirigente saudou a abertura do Centro de Estudos do Pensamento do Socialismo com Características Chinesas na Escola de Liderança Julius Nyerere, defendendo que a iniciativa permitirá aos quadros africanos estudar e adaptar experiências chinesas de desenvolvimento às realidades dos seus países.
Muandumba anunciou igualmente que o MPLA realizará o seu IX Congresso Ordinário nos dias 9 e 10 de Dezembro de 2026, em Luanda, evento que, segundo explicou, servirá para avaliar o trabalho político-partidário realizado desde 2021 e preparar o partido para as eleições gerais de 2027.
O dirigente afirmou ainda que o congresso coincidirá com as comemorações dos 70 anos de fundação do MPLA, que pretende mobilizar a sua militância “em torno da bandeira do partido”.
O encontro político decorreu na Escola de Liderança Professor Julius Nyerere, instituição criada pelos antigos movimentos de libertação da África Austral em parceria com o Partido Comunista da China para formação político-ideológica de quadros partidários da região.

