ANGOLA DESAFIA EMPRESAS BRASILEIRAS A DEIXAR DE APENAS EXPORTAR E PASSAR A PRODUZIR NO PAÍS

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O secretário de Estado para a Indústria angolano apelou hoje aos empresários brasileiros a pensarem em Angola como um país para investir, produzir e construir, não apenas como destino para exportações, apesar dos desafios que persistem.
“Pensem também em Angola como um lugar onde podem investir, produzir e construir uma plataforma para uma presença crescente no mercado africano”, referiu Carlos Rodrigues, quando discursava no Encontro Empresarial Angola-Brasil 2026, que se realizou em Luanda.
Carlos Rodrigues manifestou disponibilidade do executivo angolano para trabalhar com o empresariado brasileiro na construção da relação entre os dois países.
O governante angolano sublinhou que muitas empresas brasileiras mantêm há décadas relações comerciais com Angola, as quais pretendem preservar e aprofundar.
“Mas gostaríamos também de vos convidar a olhar para Angola de uma forma diferente”, disse Carlos Rodrigues, defendendo que “quando uma empresa identifica em Angola um mercado relevante para os seus produtos, deve também considerar a possibilidade de passar a produzir em Angola”.
Segundo o secretário de Estado para a Indústria, Angola quer um número crescente de empresas brasileiras a olhar para o país africano como um destino para os seus investimentos, produção, transformação de matérias-primas e o estabelecimento de parcerias para desenvolver capacidade, visando alcançar outros mercados.
Outro interesse angolano, apontou Carlos Rodrigues, é que o Brasil ajude a construir em Angola complexos agroindustriais, combinando produção agrícola, investigação, tecnologia, mecanização, logística e transformação industrial.
“As empresas brasileiras possuem conhecimento e experiência em praticamente todas as etapas desta cadeia de valor. É esta experiência que gostaríamos de ver cada vez mais presente em Angola, através de parcerias empresariais, transferência de tecnologia e investimento produtivo”, avançou.
O secretário de Estado para a Indústria sublinhou que as oportunidades de negócios em Angola são amplas, particularmente na transformação de cereais, frutas, café e outros produtos agrícolas, na produção de óleos alimentares, farinhas e rações, transformação de proteína animal, na cadeia de frio, na embalagem, na logística, na mecanização e nos equipamentos para a indústria alimentar.
“Naturalmente, sabemos que persistem desafios. A competitividade industrial depende da energia, da água, das infraestruturas, da logística e da eficiência dos procedimentos administrativos. É sobre estes fatores que temos vindo a trabalhar, conscientes de que atrair investimento exige não apenas oportunidades, mas também condições para que as empresas possam produzir de forma eficiente e competitiva”, destacou.
O encontro contou com a participação de representantes da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos — ApexBrasil, da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações — AIPEX Angola, do secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da embaixadora do Brasil em Angola, entre outras instituições públicas e privadas dos dois países.

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