Sansão foi um homem de força extraordinária. Dalila descobriu o segredo do seu poder. Os cabelos eram a fonte da força. Dalila traiu Sansão. Mandou cortar-lhe os cabelos enquanto dormia. Sansão perdeu a força. Foi capturado e humilhado. No fim, destruiu o templo dos inimigos.
Fonte: Club-k.net
José Eduardo dos Santos foi, durante 38 anos, uma figura central do poder em Angola. Concentrou influência sobre o Estado e o MPLA. Controlava os principais centros de decisão política. Tinha acesso privilegiado à informação sensível. Conhecia a arquitectura interna do sistema. O poder era altamente centralizado.
O sistema funcionava com disciplina rígida. A contestação interna era fortemente limitada. A autoridade presidencial era dominante. O medo político fazia parte da manutenção do equilíbrio. A fragilidade do sistema começou a ser associada a dinâmicas internas do próprio poder. Em particular, ao impacto do círculo familiar e político mais próximo. O SIE e o SINSE terão intervindo em diversos episódios sensíveis. Alguns membros desse círculo passaram por formação no estrangeiro. Regressaram com envolvimento crescente em actividades empresariais.
A fronteira entre negócios e política tornou-se progressivamente difusa. A percepção pública de conflito de interesses aumentou.
José Eduardo dos Santos mantinha controlo sobre informação estratégica do Estado. Esse controlo reforçava a sua capacidade de arbitragem política interna. 1999. Operação Restauro. O alvo: Andulo. Jonas Savimbi e a UNITA retiraram-se em fuga. No local terão ficado documentos e equipamentos sensíveis. Informação com potencial relevância política foi recolhida.
A Inteligência Militar entregou o material às estruturas superiores do Estado. Os dados tinham impacto político significativo. José Eduardo dos Santos terá optado pela destruição dessa informação. Uma decisão frequentemente interpretada como escolha de estabilidade em vez de represália política.
Evitando, dessa forma, uma eventual vaga de purgas internas. A lógica foi descrita como contenção do sistema.
No presente, o debate político em Angola permanece intenso. João Lourenço é alvo de leituras divergentes. Há quem sublinhe uma tentativa de reforço da autoridade do Estado. Há quem veja dificuldades na gestão do equilíbrio interno do poder.
Há ainda quem aponte limitações na articulação político-estratégica do sistema.
Surgem igualmente referências a tensões nos órgãos de Defesa e Segurança. Algumas leituras descrevem esses sinais como descoordenação interna.
Outras evitam essa leitura e falam em processos de reorganização em curso.
O problema central é político e percepcional. Quando a perceção de controlo do Estado enfraquece, abre-se espaço para leituras de instabilidade. E quando isso acontece, o sistema torna-se mais sensível a tensões internas e disputas de poder. Tudo indica que o poder está em queda livre.

