Uma ala do MPLA favorável à eventual candidatura de Manuel Homem como cabeça de lista às eleições gerais de 2027 defende a sua promoção ao grau de brigadeiro das Forças Armadas Angolanas (FAA), numa tentativa de alinhar o seu perfil com a preferência do Presidente João Lourenço por quadros com formação militar.
Fonte: Club-k.net
Apesar de não possuir carreira castrense, os proponentes da iniciativa argumentam que Manuel Homem poderia beneficiar de uma equivalência funcional, tendo em conta a sua passagem pelos serviços de inteligência e segurança do Estado. Sustentam que o governante seria actualmente equiparado ao posto de tenente-coronel, podendo, em tese, ser alvo de uma progressão excepcional até ao grau de brigadeiro.
Entre os argumentos invocados está o facto de quadros do SINSE utilizarem número de identificação funcional semelhante ao das estruturas militares e policiais, o que, segundo esta corrente, poderia sustentar uma eventual equiparação administrativa.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência em vários sectores. Críticos lembram que Manuel Homem terá deixado o SINSE sem formalizar plenamente a sua desvinculação institucional, tendo posteriormente transitado para funções civis no sector tecnológico, onde exerceu actividade como engenheiro informático.
Apontado com frequência como um dos potenciais sucessores de João Lourenço, Manuel Homem tem consolidado apoios no aparelho do Estado e no partido. É visto como próximo do director do Gabinete do Presidente, Edeltrudes Costa, e conta com simpatia do secretário-geral do MPLA, Paulo Pombolo.
Entre os seus apoiantes, cresce a defesa de que o governante seja apresentado já como candidato à liderança do MPLA no congresso de 2026, permitindo a João Lourenço concentrar-se exclusivamente nas funções de Chefe de Estado até às eleições de Agosto de 2027.
Entretanto, no final de semana, começou a circular entre militantes um comunicado anónimo denunciando alegadas irregularidades na recolha de assinaturas de apoio político. O documento refere a existência de uma ficha sem identificação do candidato beneficiário, supostamente distribuída por indivíduos que se apresentam como emissários de estruturas partidárias, incluindo o Secretariado-Geral e direcções provinciais e municipais.
Segundo a denúncia, militantes estariam a ser incentivados — ou mesmo pressionados — a subscrever o documento, cujos campos podem ser preenchidos sem indicação do destinatário do apoio. Os autores classificam a prática como “ilegal e inaceitável”, alertando que nenhum militante deve ser coagido a manifestar apoio político sem informação clara sobre o candidato em causa.

