Viagem de Daniel Chapo à China em plena crise gera críticas

0
2

Cláudia Marques

Vários seguidores da DW nas redes sociais têm questionado a deslocação à China do Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, em plena crise de combustíveis no país.

Chapo viajou na quarta-feira (15.04) para Pequim para uma visita de Estado de sete dias a convite do homólogo, Xi Jinping. Segundo a Presidência, Chapo irá mobilizar recursos para o financiamento de “projetos estruturantes” e impulsionar o relançamento da economia moçambicana com foco em setores como a mineração, energia e agricultura.

Em entrevista à DW, o analista político Calton Cadeado afirma que a “crítica a Daniel Chapo é justa”, mas sublinha que “ir à China pode ser um ponto de solução” para o problema da atual crise de combustíveis.

DW África: Como avalia as críticas que têm sido feitas a esta visita de Daniel Chapo à China?

Calton Cadeado (CC): A primeira coisa que eu noto quando falamos de China é que aqui em Moçambique há muitas pessoas que já diziam que o Presidente vai tarde na visita à China, já devia ter ido há muito tempo. Mas, de qualquer forma, o grande interesse de Moçambique com relação à China é sempre a componente financeira, porque a China tem uma grande presença no apoio financeiro aos projetos de desenvolvimento aqui em Moçambique, sobretudo nesta altura em que o mundo está em crise.

Há um laço histórico bastante forte que torna a China um parceiro imprescindível na história do desenvolvimento de Moçambique, aliás, da construção de Moçambique. Primeiro foi a componente política e agora é fortemente dominada pela componente financeira. E Moçambique tem uma dívida enorme para com a China, quer na dimensão política, quer na dimensão económico-financeira.

Caos em Maputo: Falta combustível nas bombas
DW África: Tendo em conta o panorama internacional atual, bastante particular, o que tem Moçambique a ganhar com o reforço da cooperação política ou diplomática e também económica com a China?

CC: Em termos históricos, do ponto de vista da luta pela libertação de Moçambique, a China foi determinante pelo apoio político e até militar foi decisivo, a par de outros. Depois veio a componente política a seguir à independência, que ajudou a normalizar o Estado. Hoje é marcadamente dominada pela componente financeira que apoia Moçambique no desenvolvimento e a agenda de desenvolvimento neste momento é que é prioritária para Moçambique.

A China nos últimos tempos fez investimentos aqui em Moçambique em infraestruturas que são de grande valor económico, social, que faz toda a diferença na atualidade política.

DW África: Começou por mencionar que há quem considera que a visita à China já vem tarde, mas por outro lado também há quem questiona a deslocação num momento em que, por exemplo, Moçambique atravessa uma crise de combustíveis.

CC: A crítica é justa, porque quererão as pessoas ver o chefe de Estado neste momento a conduzir o processo de normalização do problema, mas também existe outro lado: ir à China pode ser um ponto de solução do problema que Moçambique está a enfrentar neste momento, porque a China sempre foi um ponto de resolução do problema, sobretudo quando se trata da componente financeira.

DW África: Entretanto, também nesta semana, uma delegação moçambicana, chefiada pela ministra das Finanças, encontra-se em Washington para reuniões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e também com o Banco Mundial. Podemos dizer que Moçambique não descura também a parceria ocidental?

CC: Para Moçambique, a política externa é diversificação de parceiros, não há nenhum parceiro de Moçambique que tenha o monopólio na agenda de política externa, mesmo na agenda de desenvolvimento. Então, isso é normal para Moçambique e vai ser enquanto, pelo menos, a FRELIMO estiver no poder, enquanto a política externa não for alterada.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui