CORPOS CARBONIZADOS DIFICULTAM IDENTIFICAÇÃO DAS 22 VÍTIMAS MORTAIS DA TRAGÉDIA NO KWANZA-SUL

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Corpos carbonizados serão submetidos a exames periciais em Benguela. Famílias aguardam informações sobre desaparecidos e estado dos feridos.
A identificação das 22 vítimas mortais do trágico acidente de viação ocorrido na segunda-feira, 3, na Estrada Nacional 100 (EN-100), na província do Kwanza-Sul, continua a representar um dos maiores desafios para as autoridades, devido ao elevado grau de carbonização dos corpos. O sinistro, considerado um dos mais graves dos últimos anos em Angola, provocou ainda 12 feridos.
O processo de recolha de amostras de ADN dos familiares das vítimas decorre nas instalações do Departamento de Medicina Legal do Serviço de Investigação Criminal (SIC), na cidade de Benguela. De acordo com informações avançadas pela Televisão Pública de Angola (TPA), estão a ser recolhidas amostras de saliva e sangue que permitirão estabelecer a identidade das vítimas através de exames periciais.
O acidente envolveu um autocarro da transportadora Macon e uma motorizada de três rodas que transportava combustível, circunstância que contribuiu para a violência do impacto e para a propagação das chamas, dificultando significativamente o reconhecimento das vítimas.
Perante a complexidade do processo, o Governo Provincial do Kwanza-Sul constituiu uma comissão encarregue de coordenar a identificação dos corpos. Segundo as autoridades, esta medida é indispensável, uma vez que entre os passageiros seguiam cidadãos provenientes das províncias do Cunene, Huíla, Benguela e Kwanza-Sul.
Os corpos das 22 vítimas mortais, entre as quais várias crianças, serão submetidos a exames no Laboratório de Criminalística, em Benguela, onde decorrerá o processo de identificação através de técnicas laboratoriais e análise de ADN.
Enquanto decorrem os trabalhos periciais, aumenta a angústia entre os familiares. Nos terminais da transportadora Macon, em Benguela e na Huíla, várias famílias continuam à procura de informações sobre parentes que seguiam no autocarro sinistrado.
Os familiares apelam igualmente às autoridades para que seja divulgada a lista dos pacientes internados nas unidades hospitalares do Sumbe e de Luanda, de forma a facilitar a localização dos sobreviventes e reduzir a incerteza que persiste desde o acidente.
Dos 12 feridos, quatro foram evacuados em estado crítico para o Hospital Geral dos Queimados Presidente Julius Nyerere, no Kilamba, em Luanda, onde permanecem sob cuidados médicos especializados.
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, informou que três dos quatro pacientes apresentam queimaduras graves e necessitam de cuidados intensivos. Segundo a governante, as equipas médicas continuam a avaliar a extensão e a profundidade das lesões para definir o tratamento mais adequado, adiantando que um dos doentes inspira especiais cuidados.
Entretanto, alguns dos feridos internados no Hospital Geral do Sumbe apresentam uma evolução clínica favorável e poderão receber alta médica, após avaliação da equipa clínica.
Na sequência da tragédia, o Presidente da República, João Lourenço, apresentou condolências às famílias das vítimas mortais, em seu nome e em nome do Executivo, manifestando igualmente votos de rápida recuperação aos feridos.
As autoridades prosseguem as investigações para apurar as circunstâncias do acidente, enquanto decorrem os trabalhos de identificação das vítimas e o acompanhamento médico dos sobreviventes.

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